quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

OS JOVENS E O CRIME




ZERO HORA 27 de janeiro de 2016 | N° 18427


EDITORIAIS



A criminalidade entre os jovens acionou mais um alarme, desta vez nas estatísticas sobre a internação de jovens infratores no Estado. Entre 2011 e 2015, o número de internados por assaltos, em unidades da Fase, aumentou 79,2%, e o de envolvidos em assassinatos cresceu 77,4%. Não é um fenômeno recente, mas o dado novo é o assustador crescimento da delinquência na adolescência, como revelou reportagem publicada por Zero Hora. Confirma-se uma tendência nacional, de aumento do envolvimento de jovens e até mesmo crianças com o crime. Tanto que, por vários motivos, mas especialmente pela proximidade com criminosos, 28 jovens são assassinados por dia no Brasil.

O adolescente passa a ser um infrator grave, muitas vezes pela autoria de homicídios, e ao mesmo tempo é vítima da ação descontrolada de traficantes e assaltantes. A punição, prevista em estatuto específico, certamente não é a única solução para esse cenário. Fica cada vez mais evidente que a sociedade precisa, ao mesmo tempo que pune, oferecer programas de prevenção, que passem pela família, pela escola e pelas instituições. Essa não é, portanto, uma tarefa apenas do poder público, embora caiba aos governantes e aos órgãos responsáveis pela infância criar e fiscalizar espaços de educação e lazer para a juventude. O dever dos pais, de seus eventuais substitutos e de todo o entorno familiar também não pode ser negligenciado.

É importante que, entre as causas do quadro desolador que se apresenta, seja levado em conta o dano causado pelo mau exemplo oferecido pelos adultos. Como observa o juiz aposentado João Batista Saraiva, a partir da experiência pessoal e como consultor do Unicef, é preciso considerar que o descrédito nas autoridades e nas instituições, abaladas por escândalos, interfere diretamente no comportamento dos jovens. Reverter esse quadro significa enfrentar, ao lado dos adolescentes, uma realidade que conspira contra os que se esforçam pela postura ética dos jovens e também dos que deveriam inspirá-los.

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